O MUNDO OLHANDO PARA O NHOCUNÉ

O MUNDO OLHANDO PARA O NHOCUNÉ

 

No dia em que fotografei o Renato, tivemos uma longa e produtiva conversa, que posteriormente renderia um belo e rico texto com passagens desde a infância até os dias de hoje. Uma história tão longa que merece um livro, não sendo possível sintetizar em um breve texto para este blog.  Assim me limitarei ao artista Renato Gama.

Negro periférico da Zona Leste, Renato cresceu no seio de uma família que lhe deu as bases necessárias para traçar seus caminhos, seguir seus sonhos e atingir seus objetivos.

Conheci o Renato nas celebrações da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França, onde ele é um ativo colaborador. Aos poucos fui conhecendo seu trabalho que se renovava a cada dia. Não tardou para que me intrigasse a velocidade com que ele produzia sua arte. Senti que não estava diante de um artista, mas sim de uma fabulosa máquina de produzir arte em larga escala. Um raro fenômeno.

Em sua bagagem leva os dons de músico talentoso, compositor esmerado, escritor sensível, interprete brilhante, produtor versátil, musico terapeuta dedicado, pai e marido amoroso, cidadão agregador e negro militante.

Toda esta bagagem reveste seu trabalho de uma multiplicidade gigantesca em um processo de continuada evolução e renovação peculiar aos grandes talentos.

 

Tive a grata oportunidade de assistir e fotografar Renato em varias situações. Em todas saí levando comigo a satisfação de ter apreciado um belo evento, fosse em uma apresentação intimista em um ambiente acolhedor como em O SAGRADO  que assisti em 13/05/2017 na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França, LETRA PRETA em uma praça pública em meio a um evento literário EM 16/11/2017,  3 ÁFRICAS no Centro Cultural Itaú que  está se tornando referência, BOTICA E POESIA no SESC Paulista e muitos outros de igual teor.

Ao apagar das luzes do último milénio, Renato formou e liderou a Banda NHOCUNÉ SOUL que rapidamente conquistou o público com sua levada preta e periférica.

Com seu mega pluralismo, Renato segue se reinventando diuturnamente, produzindo espetáculos, musicando poemas, revelando talentos ou dando a pessoas comuns a oportunidade de fazer brilhar a luz que abrigam em seu interior. Como espectador tenho um olhar especial para o tratamento dado às PASTORAS DO ROSÁRIO, mais que um espetáculo, é um trabalho de valorização, respeito e empoderamento das mulheres pretas, ´permitindo que ocupem o lugar que é seu por direito.

Recentemente Renato Gama lançou seu primeiro disco solo OLHOS NEGROS VIVOS uma obra impecável com uma musicalidade e uma poesia que mexe com o corpo e com a mente. Um disco que enaltece a arte e a cultura negra ao mesmo tempo que faz um convite à reflexão quanto ao racismo e questões sociais inerentes ao preto pobre e periférico.

O alto nível do disco, chamou atenção da Gravadora Tropical Diáspora Records, empresa com sede em Berlim – Alemanha, detentora de um selo dedicado a artistas com características afrodescendentes.

O álbum foi descoberto pelo produtor brasileiro Marcos Ferreira representante da gravadora durante uma viagem ao Brasil.

Como resultado Olhos Negros Vivos Ganhou uma linda edição em vinil amarelo acompanhado de um compacto do Nhocuné Soul, que orgulhosamente enriquecem minha discoteca.

Em breve o mundo estará olhando para a Vila Nhocuné

Abaixo estão algumas fotografias deste grande talento

Osmar Moura

dezembro de 2018

 

 

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