A MULHER E A HISTÓRIA

UMA MULHER DE HISTÓRIA

 

No início as festas e bailes black aos finais de semana, mais tarde a atração pela arte e a cultura negra, por fim a inevitável busca pelo conhecimento dos caminhos que seus antepassados cruzaram, as batalhas enfrentadas, as lágrimas derramadas e as gloriosas conquistas que a cultura euro centrada insiste em tentar apagar.

Poderia ser apenas mais uma história de uma menina preta, de uma jovem mãe; simplesmente mais uma mulher.

Mas Teresa Teles não nasceu para ser mais uma.

As festas black, foram a porta de entrada para a futura militância, mais do que diversão, as festas eram encontros nos quais a juventude preta fortalecia seus elos de pertencimento, na necessidade de estar entre os seus e na luta em busca de seu merecido espaço.

Jovem perspicaz, criada em um ambiente predominantemente feminino, Teresa desenvolveu um olhar sensível por suas origens. Paulatinamente a negritude foi se tornando mais forte, os caminhos se delineando e o horizonte se tornando menos distante e mais palpável.

Com a maternidade precoce, aos 18 anos, a adolescência ficou para trás! Era chegada a hora de alçar novos voos, encarar novos desafios, planejar uma carreira. Teresa escolheu estudar História e em 2002 concluiu sua graduação pela Universidade de São Paulo. Em 2013 se tornou Mestre em História Social com estudos sobre os processos migratórios contemporâneos, especialmente a imigração angolana na cidade de São Paulo. Para Teresa estudar e recuperar as tradições e costumes de uma comunidade africana que vive em São Paulo a fez, mesmo que indiretamente, compreender suas origens perdidas na memória de um avô materno emigrado de um país africano que sua família desconhece. Atualmente Teresa é funcionária e pesquisadora do Diversitas – Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos, da Universidade de São Paulo, centro de referência acadêmica nos estudos da intolerância, da diversidade cultural e dos direitos humanos.

O processo de autoafirmação e reconhecimento como mulher preta se completou com a entrada de Teresa no bloco afro Ilú Obá de Min em 2015. Lugar de cura para muitas mulheres pretas, estar no Ilú fez com que Teresa compreendesse a importância e o respeito ao culto de seus ancestrais. Tocar tambor e estar entre as suas faz dessa mulher de baixa estatura uma mulher forte, gigante!

Teresa Teles, historiadora, tocadora de alfaia, olha para trás e tem plena certeza que a ser mãe ainda adolescente a tornou uma grande mulher. Hoje Cauê Teles, homem feito, é seu grande orgulho, seguiu os passos da mãe, estuda História na Universidade de São Paulo, e lhe deu o maior presente de sua vida, Guido, seu neto de um ano e oito meses.

Guido, herda um história de resistência e militância que no futuro pulsará nas veias de sua descendência.

 

 

Osmar Moura

Teresa C. Teles

 fevereiro de 2019

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