IRMÃOS BRITO

ARTE EM FAMÍLIA

Nascidos na periferia de Mauá, o jovem casal de irmãos Jefferson Brito e Dayane Cristina Brito, filhos dos baianos Cidalia Brito e Fernando Santos ele mestre de capoeira ela apaixonada por artes plásticas cresceram em um ambiente eclético e predominantemente artístico.

O contato com a capoeira, lhes permitiu além da flexibilidade e habilidades com os movimentos do corpo também um contato mais profundo com suas raízes negras e as histórias de sua ancestralidade além da aproximação com a dança.

Para Jefferson o segundo dos quatro filhos do casal, apesar da forte identificação com a capoeira, sentia que ela não era suficiente para suprir o que desejava expressar como negro e como humano.

Ao iniciar a 8ª série do ensino fundamental, teve a oportunidade de ingressar em um grupo de teatro criado pela escola. Após o fim do grupo Jefferson foi orientado pela professora a continuar o aprendizado em algum dos grupos que atuavam na cidade.  Estava dada a largada para sua trajetória pelo mundo das artes, em paralelo iniciou também no mundo do circo.

Um novo salto ocorre em sua carreira, quando uma professora responsável em coreografar uma apresentação da qual ele participava, percebe seus talentos sua flexibilidade e expressão corporal, e o convida para estudar em sua escola.

Os dias se passavam e o encanto pela dança e pelo teatro crescia exponencialmente, Mauá se torna pequena para os sonhos do menino Jefferson que almejava voar mais alto. Sonhando com os grandes palcos, resolve iniciar sua graduação em teatro, tendo estudado na Universidade São Judas Tadeu e na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes de Palco, opções que lhe obrigaram a interromper a dança para se dedicar integralmente ao estudo de teatro. Foi como cortar a própria carne, se o teatro é um sonho que precisa ser materializado a dança é o oxigênio que alimenta sua alma.

Após algum tempo de abstinência o tão esperado reencontro com a dança acontece. Agora no Centro de Artes Pavarini Jefferson retoma o estudo de ballet e em pouco tempo passou a integrar o corpo de ballet do Tetro Municipal de São Paulo.

Dayane passa a seguir os caminhos do irmão, mas não sem antes que seus pés de futura bailarina trilhassem por espinhos e pedregulhos, enfrentando situações que somente um coração determinado pode suportar.

Assim como para o irmão, Dayane enfrentou inúmeras barreiras até conseguir se tornar bailarina. Algumas professoras com as quais cruzou em sua iniciação tentaram dissuadi-la a desistir da dança clássica, fosse por sua idade ou por questões raciais, mas Dayane não se deixou abalar e seguiu determinada rumo aos seus objetivos. Ao ingressar na fundação das Artes de São Caetano do Sul sua luz começou a brilhar, tendo a satisfação de conhecer professoras que lhe deram incentivo e apoio para seguir seus sonhos. Mais tarde Dayane se torna aluna da escola onde o irmão já havia estudado o Centro de Arte Pavarini onde se formou em ballet sob orientação das professoras Daniella Pavarini e Giselle Pavarini.

Dayane assim como o irmão, acredita no poder transformador da dança. Para Dayane nada pode impedir alguém de dançar, sejam mulheres ou homens, crianças ou idosos, magros ou obesos, pois são inúmeras as possiblidades no universo da dança clássica.

O dom de ensinar habita no coração de Dayane e sua maior satisfação é ver a expressão e alegria de seus alunos ao conseguirem realizar os movimentos que ela carinhosamente se dedica a ensinar.

Jefferson atualmente trabalha como educador no CEDECA Sapopemba, artista da Cia. Coelho Contos e Diáspora Negra, além de outros trabalhos como sua recente atuação no musical É Samba na Veia é Candeia dentre outros trabalhos.

Dayane se dedica ao ensino da dança em várias escolas de ballet da grande São Paulo como:

Escola Infantil Primeiro ABC, Movimentação Esporte e Cultura, Academia São Paulo, Studio de Dança Zahra Saidi dentre outras.

Os irmãos Brito são um exemplo do quão árdua é a luta do povo preto, pobre e periférico, mas também são a demonstração de que a perseverança e a fé são ferramentas indispensáveis para que se conquiste um lugar ao sol.

 

Osmar Moura

dezembro de 2018

3 comentário(s)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

error: conteúdo protegido!