ENTRE A MOTO E O TROMBONE

ENTRE A MOTO E O TROMBONE

Uma infância com muitos folguedos e brincadeiras na garagem da dona Carmem, uma senhora negra elegante que trazia sempre a cabeça coberta por um turbante semelhante aos que se usam atualmente. Assim foi o início de minha conversa com Paulo de Oliveira Pereira, Paulinho para os mais próximos.

Paulinho lembra com saudades das brincadeiras na garagem de dona Carmem, quando as crianças da vizinhança faziam suas brincadeiras musicais. Naqueles tempos para Paulinho a música era apenas brincadeira ocasional, pois a bola era seu brinquedo preferido.

O cotidiano de Paulinho e seus irmãos foi regado por muita música que emanava em casa e nas residências vizinhas. Seu Paulo o pai, um apreciador da boa música, dançante, gostava de por um disco na vitrola para animar as festas da família, que dona Sonia carinhosamente organizava para comemorar o aniversário dos filhos. A vizinhança também era movida por música, o filho de dona Carmem era interprete da escola de samba Flor da Vila Dalila, um incentivador das crianças que arriscavam soltar a voz entoando os sambas enredo da época. Seu Orlando um colecionador de discos de vinil, dono de um rico acervo presenteava o grupo de Paulinho com alguns discos duplicados que recebia em alguma negociação. Nesse clima fortemente musical, Sérgio e alguns amigos costumavam organizar os bailes de garagem onde toda vizinhança se divertia nos finais de semana. Mais tarde o som da vitrola foi substituído pelo som ao vivo do grupo de samba Negro 10, onde Paulinho iniciou tocando percussão.

Seguindo as tendências da época o Negro 10 migrou do samba para o soul, surgia aí o embrião do que mais tarde seria a banda COMITÊ DO SOUL. Com as mudanças no estilo musical os irmãos Sergio e Renata passaram a tocar metais, Sergio trompete e Renata Sax. Paulinho que tinha um interesse adormecido por instrumento de sopro, aproveita o momento para substituir o couro pelo metal. Sua predileção oscilava entre os instrumentos dos irmãos, mas para evitar a duplicidade Paulinho optou pelo trombone, formando assim o naipe de metais dos irmãos Oliveira.  Paulinho inicia o estudo de trombone como autodidata, mais tarde passa e estudar em conservatório, onde segue até hoje.

Consciente dos percalços e incertezas dos caminhos da música, Paulinho resolve dividir seu tempo entre a música e a consolidação de uma carreira no mundo corporativo.

Hoje Paulinho conta com duas graduações, uma pós-graduação e várias especializações e muitos planos para o mundo corporativo.

Como bom executivo, Paulinho detém  os atributos necessários para uma boa gestão do tempo, o que lhe possibilita se deleitar tocando com o COMITÊ DO SOUL e eventualmente algumas rodas de samba e choro, além de renovar as energias com o vento ou a chuva banhando seu corpo enquanto percorre as estradas da vida  sobre sua moto estradeira.

 

Osmar Moura

março de 2019

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