CAMILA SILVA

HERANÇA PATERNA

Se por um lado costumamos reclamar da velocidade com que o tempo passa, os acontecimentos se renovam e os filhos crescem. Por outro temos a sensação de que as crianças de nossas relações são eternamente crianças. Talvez seja pelo fato de que crianças toquem nossas almas de forma muito especial e por isso as queremos sempre crianças.

Já se passou mais de década quando ouvi alguns amigos comentando a respeito de uma menininha que estava encantando os marmanjos sambistas que frequentavam algumas rodas de samba da Zona Leste Paulistana. Desde então passei a nutrir grande curiosidade em conhecer a tão comentada garota.

Alguns meses se passaram até que em um final de tarde, fui a um dos encontros promovidos pelos @migos do samba.com, ocasião em que minha ansiedade foi arrefecida.  Finalmente conheci a doce Camilinha. Uma menina de traços leves e jeito tímido, que iria participar da roda de samba naquela tarde.

Quando o samba começou, me aproximei da roda assim como os demais presentes. Enquanto observava a jovem musicista ferindo as cordas de seu cavaquinho, ouvia também os comentários de satisfação da plateia que como eu, acompanhava tudo boquiaberta.

Caçula de duas filhas, Camilinha cresceu em um lar sereno e harmonioso. Os pais Jana e Sérgio traçaram o futuro de Aline e Camilinha nas sólidas bases do amor e transparência, respeitando e estimulando as aptidões das meninas.

Amante da boa música, Sergio tentou iniciar Aline (a filha mais velha) na música, mas a menina tinha outros talentos e não tardou em trocar as cordas pelas quadras de basquete.

Sergio um músico dedicado que aproveitava seu tempo livre estudando violão, sempre  sob os olhos e ouvidos atentos da filha que não tardou para fazer seus primeiros acordes.

Desde então a herança paterna se instalou na alma da jovem musicista que nunca mais se apartou da música. Não tardou para o som de seu cavaquinho ser ouvido em rodas de samba e de choro, que passou a frequentar em companhia do pai.

Jovem talento, Camila vêm se destacando como instrumentista no cenário da música brasileira. Formou-se em cavaquinho pela EMESP (Escola de Música do Estado de São Paulo) Tom Jobim em 2015 e estuda Licenciatura em Música na UNESP. Participou de diversos grupos e projetos em destaque: Chorando na Garoa – Uma homenagem ao choro (2014), Centro Brasileiro Britânico – Projeto Cultura no Choro (2014), Projeto Nossas Coisas – Ouvindo nossos talentos (2014), Elas no Choro (2015), Virada Cultural – Clube do Choro de São Paulo (2016)/ Amigas do Samba-Movimento Sociocultural, gravação do CD “Hoje é Dia de Maria” (2016), Playing For Change (2017), Carna Pretas – Diversão sem preconceito – Sarau das Pretas  (2018).  Foi convidada a participar do CD em comemoração aos 10 anos do projeto “Choro na Manhã” (2015).

Hoje integra os grupos: Camila Silva e Conjunto Vertentes, Quintal de Fulô, Choro No ar, Balé Popular Cordão da TerraEnsemble Brasil, Coletivo Cairé, Cia Mar de Teatro e Botica Poesia.

 

Osmar Moura

Novembro de 2018

21 comentário(s)

Camilinha, graciosa como sempre.
Ela talvez não saiba , mas foi a minha inspiração para eu aprender a tocar cavaco, que por sinal não é fácil.
E que muitas mulheres se inspirem e se motivem a tocar algum instrumento,seja ele qual for.
E que haja muitas Camilas para servir de motivação para todas mulheres.
Nunca me vi tocando nada e num belo dia, a observando tocar, bateu essa vontade de tocar cavaco e fui entrei no site e comprei um cavaco sem saber se prestava ou não é comecei a estudar por conta, no começo sentia desânimo pq não saia do lugar , mas depois eu voltava a me animar e aí o Sidnei me deu a oportunidade de aprender com. ele é abracei a oportunidade.
Enfim, grata Camilinha, pois eu com muito orgulho posso dizer que me inspirei numa grande cavaqunista e hoje já consigo arranhar um pouco kkkk.

SUCESSO !!!

Ah ! Osmar Parabéns pela matéria.

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